Entrevista com o antropólogo Aristóteles Barcelos

A nova edição da Revista PROA/UNICAMP traz uma entrevista com o antropólogo Aristóteles Barcelos contando sobre a sua trajetória acadêmica, passando,claro, pelo MAE/UFBA, onde iniciou seu trabalho com a arte indígena e foi responsável pela composição de uma das coleções mais conhecidas do nosso museu.

Aristóteles Barcelos Neto, antropólogo colecionador*

Elaborada por:
Daniel Revillion Dinato
Gabriela Aguillar Leite
José Cândido Lopes Ferreira
Paulo Victor Albertoni Lisboa

 

Após uma longa viagem que o ajuda a retraçar um percurso que se inicia pelas artes plásticas, Aristóteles Barcelos Neto ingressa no curso de Museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com isso inaugura uma trajetória acadêmica marcada pela produção de coleções etnográficas para importantes museus, como o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA e o Museu Nacional de Etnologia de Lisboa e o Museu do Quai Branly de Paris, a realização de filmes sobre xamanismo e performances rituais na Amazônia e nos Andes.

O entrevistado é herdeiro e ex-aluno de uma geração de etnólogos como Berta Ribeiro, Pedro Agostinho, Vera Penteado Coelho, Rafael de Menezes Bastos, Lux Vidal e Sylvia Caiuby Novaes, autores que romperam com a moderação com que o tema “arte” era abordado até então nas etnografias sobre a Amazônia indígena e se dedicaram a olhar para desenhos, pinturas, músicas e rituais. É também contemporâneo ao pensamento da agência da arte, de Alfred Gell, e do conceito de transformação na Amazônia, de Eduardo Viveiros de Castro, elementos que se combinam de forma original em sua obra.

É nesse ambiente teórico em ebulição que podemos situar seu trabalho sobre as máscaras rituais dos Wauja do Alto Xingu. O autor acompanhou todo o processo de concepção, feitura e descarte das máscaras, em uma etnografia que ambiciosamente se propõe a perseguí-las, como ele mesmo diz, alinhadas às trajetórias biográficas que orientam a organização do sistema ritual xinguano.

Neste último semestre de 2016, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Unicamp o recebeu como pesquisador-visitante no âmbito do convênio Newton Fund-FAPESP. Durante sua estadia, Aristóteles Barcelos concebeu a curadoria da exposição “Serpentes da Transformação: Desenhos da Amazônia Indígena”, com uma seleção de desenhos produzidos por seus interlocutores Wauja, que aconteceu na Casa do Lago e foi publicada em forma de “Galeria” nessa mesma edição da Revista.

Aproveitando sua visita, a PROA decidiu também entrevistá-lo para relembrar um pouco de sua trajetória acadêmica e seu percurso institucional, conversar sobre a exposição e discutir algumas das questões centrais que suas publicações têm levantado tanto para o debate sobre as relações entre arte, ritual e cosmologia, quanto para a interseção entre etnologia indígena e museologia, que sem dúvida é uma marca singular de seu trabalho.

Gabriela Aguillar Leite

ENTREVISTA | PROA: revista de antropologia e arte, Campinas, n. 06, p. 175 - 194, 2016 175
* Este texto é uma versão corrigida da publicada por esta revista em 19/12/2016, atualizada em 10/03/2017.

Confira a entrevista completa que Aristóteles Barcelos concedeu à PROA:  revista de antropologia e arte, aqui >> 2726-7193-1-SM